segunda-feira, 15 de novembro de 2010

HIGHWAY TO HELL


No dia 27 de julho o álbum “Highway to Hell”, do AC/DC, completou 30 anos de lançamento. Com a reformulação passada pelo Território da Música começamos hoje uma série de homenagens a alguns dos discos mais importantes da história da música. Para começar vamos pegar essa ‘estrada para o inferno’...

A importância do álbum “Highway to Hell” se dá principalmente por ter sido o fim de uma etapa na carreira do AC/DC. E um fim trágico. Este álbum foi o último com o vocalista Bon Scott, morto em fevereiro de 1980. Mas antes de carregar este estigma, o disco já se tornara famoso pelas músicas que ajudaram a consolidar o nome do grupo no cenário internacional.

“Highway to Hell” foi gravado entre fevereiro e abril de 1979 em estúdios em Miami, nos Estados Unidos, e em Londres, na Inglaterra. Inicialmente a produção seria feita por Eddie Kramer, já conhecido no mundo da música por seus trabalhos como engenheiro de som ou produtor de bandas como Led Zeppelin, Jimi Hendrix e Kiss.

Mas a produção final de “Highway to Hell” foi assinada por Robert ‘Mutt’ Lange que na época já tinha produzido Savoy Brown e The Boomtown Rats, e mais tarde iria trabalhar com artistas como Def Leppard, The Corrs, Bryan Adams e Nickelback, entre outros.

Este foi o quinto lançamento internacional da banda e a faixa-título se tornou um dos maiores clássicos da carreira do AC/DC. O álbum traz 10 faixas, todas compostas pelos irmãos Malcolm e Angus Young em parceria com o vocalista Bon Scott. “Highway to Hell” alcançou a 17º posição entre os mais vendidos nos Estados Unidos em 1979.

Anos após o lançamento do disco, em 1985, “Highway to Hell” esteve envolvido em uma polêmica. O assassino em série norte-americano Richard Ramirez, conhecido como Night Stalker, cometeu diversos crimes entre os anos de 84 e 85. O criminoso se dizia fã de AC/DC e teria criado seu apelido baseado na música “Night Prowler”, a última faixa de “Highway to Hell”.

O fato de Ramirez se declarar fã do AC/DC e de usar camisetas e outros assessórios do grupo levou a conservadora sociedade norte-americana a culpar a banda como incentivadora de atos criminosos. O mesmo ocorreu com Ozzy Osbourne e Judas Priest, praticamente na mesma época.

O Território da Música pediu para alguns músicos influenciados pelo AC/DC comentarem sobre este álbum ou contarem alguma história envolvendo o disco. Veja o que integrantes das bandas King Bird, Baranga e Martiataka disseram a respeito:

Fábio César, baixista do King Bird (www.myspace.com/kingbirdband):
Comigo aconteceu uma história muito pitoresca em relação ao álbum “Highway to Hell” do AC/DC... Estava eu garimpando algum LP para adquirir na saudosa loja Woodstock Discos, ali no Anhangabaú, no centro de São Paulo, quando entra na loja um desses evangélicos com uns folhetos na mão.

Ele veio em minha direção e disse que eu ainda tinha salvação se ouvisse o que ele tinha para me falar. Ele me entregou o tal folheto e disse para ler atentamente, mas quando bati o olho no papel lá estava a tradução da música “Highway to Hell” e ali dizia que a música era do capeta e que todos os membros da banda tinham pacto com o dito cujo...

Eu olhei para ele e disse “cara muito obrigado... eu estava querendo a tradução dessa música e não tinha! Muito obrigado, você realmente me salvou!” (risos). Obviamente na mesma hora o cara saiu sem dar satisfação nenhuma, pois a loja inteira caiu em gargalhadas.

Brincadeiras à parte, eu considero este álbum uma das maiores obras primas do Rock 'n' Roll e com certeza AC/DC é uma das maiores influências do King Bird.

Ricardo ‘Soneca’ Schevano, baixista do Baranga (www.myspace.com/baranga):
Lembro quando comprei o “Highway to Hell” do AC/DC. Tinha 16 anos e fui para a Galeria do Rock, à tarde, depois do colégio. No rolê, achei ele na versão ‘Best Sellers’, que era uma série mais barata, e logo que cheguei em casa botei pra rodar.

“Highway to Hell” não foi o primeiro disco que ouvi do AC/DC, nem o primeiro que ouvi com Bon Scott, o vocalista original. Mas ficava claro, logo na primeira audição, que ali a banda estava no auge. A produção impecável, os ‘riffs’, os timbres, as letras, e os fantásticos refrões, com ‘backing vocals’ mais “cheios” que nos discos antecessores, deixando a certeza, para mim, que este é o melhor disco do AC/DC.

A faixa título nasceu para ser um hino, põe de ponta-cabeça qualquer pista, em balada de Rock, até hoje. E instituiu definitivamente o “Hell” como o paraíso sonhado por todos os roqueiros.

Uma pena que este tenha sido o último registro com Bon Scott. Um dos mais carismáticos ‘frontman’ que o Rock já teve. É difícil fazer certas suposições, mas acredito que se estivesse vivo seria uma figura cult como Lemmy Kilmister, Keith Richards ou Ozzy Osbourne.

Mas como o mundo gira, no ano seguinte o AC/DC lançou “Back In Black”, que pagou todos os tributos que Bon Scott merecia. Mas isso é outra história e o “Back In Black” só faz 30 anos em 2010”.

Deca, guitarrista do Baranga:
“Highway to Hell”? Espetacular! O último com Bon Scott (ele dizia que o AC/DC eram os quatro caras da banda, e ele era o raio no meio). Foi o ‘play’ que abriu a banda pro estrelato total.

Não foi o primeiro ‘play’ que comprei do AC/DC, mas eu era moleque quando comprei e foi inspiração para um trabalho de desenho na escola - era para desenhar a capa qualquer e escolhi colocar o logo da banda e o título, mas o desenho era de uma estrada, com faixa separando as pistas, ‘guard-rail’ na lateral e com um fogo no fundo. O curioso é que mesmo bem antes de ter visto o vídeo, é a imagem bem parecida com um filminho de introdução do filme “Let There Be Rock”...

Tem mais! Se você comparar as fotos da contracapa do “Powerage” - que é de dois anos antes que o “Highway to Hell” - vai ver que é da mesma sessão de fotos. É só ver os detalhes do Angus e do Malcolm. Isso é normal, tem foto da sessão do segundo CD da Baranga, “Whiskey do Diabo”, que ainda usamos até hoje... Até nisso temos influência do AC/DC (risos)!

Del Guiducci, vocalista do Martiataka (www.myspace.com/martiataka):
Eu tomei contato com a obra do AC/DC no início dos anos 90 e o primeiro álbum no qual botei minhas mãos foi o “Who Made Who”, que é de 1986. Foi ótimo ter sido este disco, porque é uma espécie de coletânea. A partir daí, desandei a procurar mais material sobre a banda - naquele tempo não era só apelar para o Soulseek ou Emule ou Torrent.

Não é meu disco preferido do AC/DC - embora goste mais do Bon Scott como vocalista, o “Back in Black”, como álbum, é insuperável -, mas talvez seja o melhor com o antigo vocalista. E tem uma série de coisas que fazem do “Highway to Hell” um disco emblemático, não só para mim, mas para a história do rock.

Primeiro o fato de ter sido o último com Bon Scott. Depois pela capa espetacular, uma das melhores do rock em todos os tempos. E, claro, por algumas grandes canções como a faixa-título e “Girls Got Rhythm”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário